Sobre o autor

I - Ligando os Pontos (13/05/2010)

Noutro dia, noutra hora, na falta do quê fazer, resolvi ler o jornal Estado de Minas. Encontrei um joguinho de ligar os pontinhos na seção infantil. É realmente acriançado, mas diante da total desocupação, fi-lo. Até que não foi de todo um fracasso. O desenho final, um macaquinho, é o meu bicho preferido. A atividade me fez pensar que de ponto em ponto se chega aonde se quer ir e que o mecanismo só funciona perfeitamente se todos os pontos estiverem bem alinhados. Não sei se este é o “ó do borogodó” do jogo, a moral da história, mas entendi assim... Se não for, que mal há? A filosofia é o que interessa, pois é unânime, pode ser aplicada à vida em todas as suas instâncias. Fui ligando os meus pontos...

A título de primeiro ponto regressei ao jardim da infância. Tia Inês... Tão bonita! Os gêmeos atentados, um inferno de dois satãs em minha vida. Pequena Lais não era atraente aos meus olhos, todavia sua doçura angariava a minha atenção. Desenhei um coração para ela...

Parti para o segundo ponto aos nove anos quando descobri o tesão. Deitei-me de bruços no sofá e o meu “tiquim” dentro do short acabou adentrando a vala edificada entre uma almofada e a outra. Foi a minha primeira vez... É uma pena que o tesão e a paixão andem de mãos dadas. Acredito que seríamos mais felizes caso nos relacionássemos sexualmente com as pessoas que odiamos. Assim, de uma só tacada, aniquilaríamos o ciúme e toda forma de amor seria incondicional. Mas não pensem que fui me apaixonar pelo sofá! Enlouqueci-me aos doze anos por uma menina de olhos verdes, à qual nunca disse meu nome, nem perguntei o seu. Fantasiei a nossa vida maravilhosa até o casamento, desconsiderei o sexo. E o padre perguntava:

- Você aceita... como sua legítima esposa?

Sempre criei um espirro, um pigarro ou outro ruído para substituir as reticências.

Depois veio o primeiro beijo. Pêra, uva, maçã ou salada mista? Olhando por entre os dedos do companheiro foi salada mista... Eu pronto para dar um “choquinho”, mas aquela louca enfiou a língua na minha boca. Era nojento, mas era gostoso ao mesmo tempo. Parecido com comer um frango ao qual se viu morrer: nojento, mas gostoso do mesmo jeito. Vamos a outros pontos...

A Legião Urbana, aos dezesseis anos me ensinou a sonhar. As letras do falecido Renato Russo me tiravam do chão. Havia outras bandas bacanas. Nesta época musical tomei conhecimento da existência do grande Raul Seixas. Aquele maconheiro é bem legal. Mas não foi só musica... Conheci também o primeiro Chimpanzé. Nossa! Fiquei espantado com aquele cara! O bicho parece que pensa como nós. Como é parecido conosco! Não que eu me pareça com um macaco, mas vocês entenderam não é?

A carteira de habilitação veio junto com o primeiro carro. O mundo já não era tão pequeno. Depois veio a primeira viagem sozinho e com ela, veio o conhecimento da total e completa solidão. Foi um dos pontos mais importantes... Aprendi a filosofar (só se faz isso quando se está sozinho), mesmo sem saber o que a palavra quer dizer. Ainda aprendi a ser desinibido, por necessidade. Depois eu conheci tanta gente... Namorei, casei, fui corno, separei...

Entre estes pontos teve a universidade. Puts! Que saco é universidade! Eu trabalhava e estudava e não me sobrava tempo para nada. Foram anos vazios na minha vida, mas houve pontos bons nesta fase; só não me lembro de nenhum... Ah! Sim! Lembro do que estou marcando agora! Foi naquela época que comecei a escrever.

“Quem planta colhe”: Plantei passado e colhi presente. Agora estou plantando presente para colher futuro. Conhecendo as mudas do presente, imagino um futuro bem frondoso para mim...

Os pontos são importantes, mas o mais importante, o indispensável, é a linha que os une para formar o desenho da vida. A esta linha dou três nomes com um único sentido: Família, amigos e amor.

Eric de Almeida Bustamante.

Um comentário:

Unknown disse...

parabéns,moço.